Escolas democráticas: novas experiências

 


Para pensar o trabalho educativo como instrumento de mudança é preciso que o educador mantenha, recupere ou adquira o sentido do trabalho escolar como efetivo poder de influenciar uma importante dimensão da realidade social – a subjetiva, mediante a criação de identidades, e, desse modo, colaborar para que aconteçam as mudanças sociais. Uma escola democrática é aquela que contribui para a criação de identidades democráticas, mediante instrumentos educacionais que favoreçam o aprendizado da participação, do cultivo da igualdade e da liberdade.

Examinar o tema das escolas democráticas a partir da militância em movimentos sociais que buscam a democratização da sociedade significa equacionar o problema da tomada de posse da escola, transformando-a para que se coloque a serviço dos interesses desses movimentos sociais. No Brasil a história registra que houve mais antagonismo entre movimentos populares e escolas do que cooperação. Entretanto, a existência de alianças entre ambos os universos aconteceu e quando isso se deu revelou muitas possibilidades de mudança efetiva.

Um exemplo significativo a ser citado é o caso dos Centros Educacionais Comunitários – CECs, criados inicialmente na zona leste da Capital Paulista.

Esses CECs originaram-se a partir da constatação que algumas Comunidades Eclesiais de Base – CEBs da Região Leste da Capital Paulista fizeram de que, apesar destas comunidades constituírem-se em lugares educativos para os adultos, que se tornavam pessoas comprometidas com o serviço aos demais, não se voltavam para o atendimento de suas próprias crianças, que, em última análise, eram educadas pelo Estado a que tanto criticavam.

Gradativamente, à medida que se alertaram para esse aspecto, dispuseram-se a construir uma proposta educacional para suas crianças e, por extensão, para as demais crianças do povo.

Em colaboração com profissionais de várias áreas, identificados com as propostas das CEBs, tais como: pedagogos, psicólogos, médicos, nutricionistas, arquitetos, advogados, professores etc., “dialogando”, ou seja, interagindo em condições de diálogo, conseguiram expressar seu “desejo” educacional que se tornou realidade. Essa realidade, mesmo não sendo extensivamente significativa – eram cerca de 500 crianças atendidas -, mostrou-se relevante de um ponto de vista da novidade gerada, demonstradora da possibilidade de um fenômeno desse tipo ocorrer.

A natureza da proposta era tal que questionava o sistema de ensino vigente de forma concreta, mostrando alternativas mais adequadas às crianças, aos pais, com menor custo e mais eficiência e eficácia.

O seu caráter paradigmático pode fornecer a outros movimentos sociais populares um padrão de reivindicação qualitativamente diferente.

Uma vez inteirados dos instrumentos típicos da ação educacional, entre os quais sobressai o currículo, esses sujeitos populares perceberam a necessidade que tinham de se constituir em sujeitos educacionais, ou seja, serem os proponentes do currículo.

 

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