A construção de escolas democráticas

 

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Como construir escolas democráticas que atendam aos reais interesses populares? Como saber quais são os interesses reais do povo? Evidentemente, também aqui, cada perspectiva teórica terá uma indicação a fazer.

Serão os “iluminados” – aqueles que possuem as luzes da razão, modernamente coincidentes com os chamados tecnocratas, cujo saber que detêm seria condição suficiente para se tornarem condutores do povo?  Quem sabe o que precisa o povo é o intelectual que extrai este conhecimento de uma ciência sobre o povo, capaz de indicar o caminho? Como esse conhecimento é obtido? Com a participação ou com a exclusão do povo? Afinal, quem decide a respeito de coisas que interessam à população?

Por diversos fatores, entre os quais se destaca a forma básica pela qual a nossa sociedade estrutura-se, o povo é excluído do processo de participação nas decisões que lhe interessam. Chega-se, mesmo, a pensar que essa participação seja inviável, ou seja, o pensamento dominante não deixa espaço para introdução de um sujeito diferente daquele que domina.

É nesse contexto que ganha destaque o papel dos movimentos populares, de vez que colocam no cenário um elemento novo a ser considerado: a presença do povo como sujeito.

Os movimentos populares podem ser caracterizados como iniciativas que se originam, constituem-se, mantém-se, expressam-se no meio do povo a partir de problemas que interessam ao próprio povo, geralmente sem apoio institucional do Estado e, por vezes, até em oposição ao Estado, operando instrumentos sociais próprios, como formas peculiares de comunicação, organização etc.

Sem entrar em uma análise mais global da relação entre essas formas de organização popular e a sociedade capitalista, análise esta que extrapolaria os objetivos do presente texto, o que se torna interessante reter aqui é o caráter de sujeito, de interlocutor que passam a ter esses movimentos com os quais as autoridades e grupos dominantes têm de dialogar.

Em uma sociedade caracterizada pelo fenômeno das “massas” e pelo do “individualismo”, duas faces de uma mesma moeda, o aparecimento de uma nova realidade – nem massa, nem indivíduo – constitui-se efetivamente em uma novidade.

Essa nova realidade é o que se pode chamar de Sujeito Popular, tal como a define João Carlos Petrini em PETRINI, J.C. CEBs em São Paulo: Um novo sujeito popular. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1984

 

“Entende-se por Sujeito Popular uma agregação humana que compartilha condições semelhantes de vida, acredita e faz experiências dos mesmos valores a partir dos quais constrói a sua unidade e a sua atuação na sociedade, um conjunto de pessoas que reconhece ter raízes culturais e religiosas comuns e uma meta política e social comum a ser alcançada. O sujeito popular qualifica uma agregação de pessoas enquanto não são absorvidas no anonimato da massa, mas formam uma realidade social que vive uma experiência de unidade e de solidariedade, dotada de identidade própria e capaz de iniciativa no seio da sociedade civil, no interior da qual vai elaborando as etapas sucessivas do projeto comum para uma nova convivência social”.

 

O Sujeito Popular é, portanto, o povo organizado e dotado de capacidade de expressão de uma vontade política.

Os movimentos populares, ao superarem a lógica da exclusão individualista, equipam-se, já, na sua forma de ser, para a participação.


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