Escola democrática, escola para todos!
A história da educação escolar mostra que mudanças realmente significativas, no rumo da democratização, só acontecem quando inseridas em uma busca de atender a todas as crianças e jovens existentes na área do sistema considerado. Mudanças qualitativas localizadas, tópicas, têm um grande valor paradigmático, e para elas podem contribuir centros de pesquisa, universidades, ongs etc. Para o dirigente do sistema público, o desafio é implantar com equidade a qualidade disponível na rede e, nesse sentido, a busca de atender a todos é critério de avaliação das ações.
A cultura escolar brasileira oscila entre duas grandes tendências que podem,
genericamente, ser denominadas de democrática e de aristocrática.
A tendência
aristocrática entende a ação educativa como destinada a selecionar os melhores
que, graças à combinação de seus dons naturais individuais e as oportunidades
apresentadas, merecem os melhores lugares sociais e destinam-se ao comando da
sociedade. Desse modo, da educação infantil à superior, os mais aptos é que
devem triunfar, sendo os “sem dom para estudos” destinados à “transferência
compulsória”, passando por “o prazo da matrícula já acabou”.
A tendência
democrática considera que as pessoas, as crianças, os jovens, são diferentes
uns em relação aos outros, mas possuem uma igualdade fundamental de direitos e
deveres. Considera, ainda, que o ensino básico não é seletivo, mas um direito e
uma necessidade para todo cidadão. O ensino superior deve respeitar as
“vocações” pessoais e sociais e deve ser ampliado para um número cada vez maior
de jovens e adultos.
O problema é que
o educador vive sob influência destas duas tendências e, por vezes, buscando
concretizar uma delas depara-se com o instrumento da outra. A dominante pode
ser considerada a aristocrática e a estrutura organizacional das redes
escolares está, geralmente, mais apta a atuar seletivamente do que
democraticamente. Por isso, é necessário criar e cultivar uma sensibilidade
democrática nos que buscam a democratização.
Jair
Militão da Silva (07/04/2022)

Ser educador é uma jornada e considerar o outro como válido e capaz é algo que devemos cultivar. Excelentes palavras grande Jair.
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